O dia em que as coisas não deram muito certo... KKKK

Em uma quarta feira ensolarada, clima ameno e seco, fui solicitado mais uma vez para prestar meus serviços de resgatista mergulhador. O serviço era simples: encontrar um óculos de sol de R$3.000,00, cravado de diamantes, com detalhes em ouro e exclusivo da grife Harmaniates, perdido no encontro do Rio das Mortes com o Rio Grande (Represa do Funil).
Como este serviço já havia sido realizado para a mesma pessoa, fui confiante, acompanhado do meu fiel escudeiro Rodolfo Higino.
Pegamos o mega carro do meu pai (PARATI) emprestado e fomos rumo ao condomínio Ilha Brasil.
Chegando lá, a primeira surpresa: a área de busca no lago era muito grande e a água estava bastante turva, o suficiente para gastar o gás de 3 cilindros S80 e esgotar as pilhas de minha lanterna.
Após horas de mergulho, retorno à superfície com a má notícia: não encontrei o tão valioso óculos fujão.
Chateados, retornamos a Lavras e, ao chegar em Ijaci, perguntei ao meu auxiliar se o álcool que era suficiente para completarmos o percurso.
A resposta foi imediata: SIM, FIQUE TRANQUILO. CONFIE EM MIM!!!
Pessoal, adivinhem o que aconteceu no caminho? É óbvio que o combustível acabou, e ao tentar fazer um “balão” na rodovia, o carro morreu e ficou no meio da pista, em plena curva. Ao longe escutamos o barulho de um caminhão descendo o morro, e, como dois loucos, saímos do carro e o empurramos para o acostamento. Quaaaaaaaaaaaaaase batemos as botas!!!
Após muitas risadas e xingamentos de minha parte, começamos a pedir carona para buscar combustível. Depois de uma hora de tentativas frustradas, resolvemos percorrer os 5 Km a pé até o posto mais próximo e depois de horas, muita fome e sede, retornamos ao super automóvel do meu pai com duas garrafas de 2 litros de alcool, um pão com salame na boca e uma baita sede.
Conclusão:
QUE FURADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aventuras entre família...

Quando o assunto é aventura, esta deve deve ter sido uma das maiores da minha vida.
Imaginem a situação: Cheguei na casa da minha irmã em Belo Horizonte após 29 (2.150 Km) horas de viagem. 20 delas "sem parar"!!! Quando chego em BH deparo com as duas meninas mais lindas do mundo, morrendo de saudades do tio que não viam há 7 meses. Eu e a Lu QUEBRADOS da viagem, e qual foi o primeiro pedido das meninas? Titio, vamos brincar de tubarão??? Como era impossível movimentar o corpo tive que oferecer os meus belos cabelos como brinquedo.
Acho que estou ficando louco... Também com umas menininhas assim...
Mergulhador (caverneiro) do LAR...
Cat fish
Carta aos Mergulhadores!

Como todos os seres humanos, nascemos no coração da mãe-terra. Temos braços e pernas, respiramos oxigênio que entra em pequenos pulmões. Passamos grande parte da nossa vida na posição vertical que nos dá uma maior autonomia e conforto na terra. Vistos superficialmente somos iguais a todos os seres humanos.
Mas analisando um pouco mais fundo, alguma coisa nos faz diferente. Nascemos com os olhos acostumados ao azul das águas. Temos um corpo que anseia pelo braço do mar e, um pulmão que aceita grandes privações de ar apenas para prolongar a nossa vida no mundo azul.
Somos homens e mulheres de espírito inquieto. Buscamos na nossa vida mais do que foi dado. Passamos por grandes provas para nos aproximar dos peixes. Transformamos nossos pés em grandes nadadeiras, seguramos o calor do nosso corpo com peles falsas e chegamos até a levar um novo pulmão em nossas costas. E tudo isto para quê? Para podermos satisfazer uma paixão, um sonho. Porque nós, algum dia, de alguma forma, fomos apresentados a um mundo novo. Um mundo de silêncio, calma, mistério, respeito e amizade. E esta calma e silêncio nos fizeram esquecer-se da bagunça e agitação do nosso mundo natal. O mistério envolveu nosso coração sedento de aventura.
O respeito que aprendemos a ter pelos verdadeiros habitantes desse mundo. Respeito esse que, só depois de ter sentido a inocência de um peixe, a inteligência de um golfinho, a majestade de uma baleia ou mesmo a força de um tubarão, podemos compreender.
E a amizade. Quando vamos até o fundo do mar, descobrimos que ali jamais poderíamos viver sozinhos. Então levamos mais alguém. E esta pessoa, chamada de dupla, companheiro ou simplesmente amigo, passa a ser importante para nós. Porque, além de poder salvar nossa vida, passa a compartilhar tudo que vimos e sentimos. E em duplas, passamos a ter equipes, e estas passam a ser cada vez maiores e mais unidas. E assim entendemos que somos todos velhos amigos mesmo que não nos conheçamos. E esse elo que nos une é maior que todos os outros que já encontramos.
E isso faz com que nós mais do que amigos, sejamos irmãos. Faz de nós, mergulhadores.
(Jacques Cousteau)
Festa!!!
Saudades...

Hoje fui abalado intensamente por um sentimento nem sempre muito bem vindo, a SAUDADE.
Saudade da família, dos amigos, dos aromas, sabores, alegrias, aventuras...
Uma saudade forte o bastante para abalar a melodia que toca em minha vida.
Ó Minas Gerais... Ó Lavras... Ó meu Lar!!!
Conto as hora em que poderei rever os amados (as)... E enquanto conto, rezo, para que a hora possa ser acelerada, e assim, poder levar amores e amizades conquistados por estas terras do Recife.
Como DOI, como DOI...
Último ataque em Recife
Mergulhadores são bons de bola sim!!!!!!!
Uma aventura pela Lagoa Azul
No município de Jaboatão dos Guararapes, a poucos minutos de Recife/PE, existe uma área de aproximadamente 100 hectares com um potencial inacreditável. Estou falando de um local que possui um grande potencial para a prática de esportes de aventura e lazer. Nesta propriedade particular conhecida como Fazenda Lagoa Azul, os elementos da natureza se encontram na mais completa harmonia para promover um verdadeiro espetáculo natural.
A paisagem remete a um quadro impressionista, cores vibrantes de um azul profundo das águas e do céu límpido.
Matas, lagoas profundas, paredões rochosos, vales e tudo o mais que se poderia considerar como obstáculo é um verdadeiro desafio. Um espaço ímpar, onde pude me encontrar com o aventureiro, ou doido, que existe dentro de mim.
No local, esportes como tirolesa, mergulho e rapel me deixaram exalando adrenalina pelos poros...
A TIROLESA...

De todos os esportes possíveis de serem praticados na Lagoa Azul, um deles me causou maior atração. A TIROLESA!
Trata-se de um esporte realizado de cima de um paredão de 59 metros, percorrendo 250 metros queda abaixo até uma verdadeira EXPLOSÃO na água do lago.
Após o contato com os responsáveis, iniciei uma subida digna das ladeiras de Ouro Preto/MG rumo ao ponto do salto (marcação em círculo vermelho).
A LOUCURA...

Pessoal, a única maneira de contar esta história trágica é através de etapas. Por isso resolvi enumera-las.
Antes, vou explicar o motivo do título. O salto foi uma loucura, não apenas pela emoção causada pelo esporte de aventura, mas pelo fato de ser uma das maiores tirolesas do Brasil, com equipamentos precários, guias despreparados, etc. O estrago no meu corpo é um capítulo à parte.
Cena 1: Lá estou eu, com minha cabeleira, minha bermuda de surfista e um medo do cão, mas pronto para descer aquela coisa. Quem me vê com os braços abertos e aindafazendo pose, não imagina que eu tive que ir ao banheiro váááááárias vezes.(MEDO)
Cena 5: Para não pagar o mico e ser o único a não descer, resolvi me jogar de cara. O TREM desceu igual a uma bala! E o pior, desci de costas sem saber a hora em que bateria na água.
Resultado? Ver próximo capítulo.
Cena 2: A PAULADA!!! Quando toquei a água, lembrei duma vez em que muito me machuquei... Não sei se bebi água, se fiz xixi nas calças, se desmaiei... Só sei que minha bermuda ficou presa no dedão do pé (vide foto) e que senti uma forte dor no corpo, principalmente no pescoço. Dor essa que sinto até hoje. rs
Cena 3: QUE PANCADA!!!!!!!!!
Cena 4: Tentando desfarçar a dor, virei pro lado e dei um sorrizinho amarelo.
Após me vestir dentro d'água, fiz pose e sai como o mais corajoso dos homens. Porém, ao encontrar um farmácia, comprei tudo o que tinha direito...
QUEREM SABER SE EU VOU NOVAMENTE? Opinem...
Obs.: Não tentem isso em casa e longe da supervisão de um adulto.
Sobrinha de Coração!!!
Indignação!!!

Saindo de casa, rumo à Aquáticos, deparei com esta absurada cena em plena Avenida Boa Viagem.
Eu, como bom mergulhador, fiz questão de buzinar e cumprimentar aquele cavalo tão inteligente...
Não é que ele me cumprimentou com sinal de "ok"?
Acho que sonhei, porém a foto...
OBS: Qualquer semelhança é mera coincidência.
Peixe Rêmora - O tarado dos mares...

Rêmora ou rémora é o nome vulgar dos peixes da família Echeneida. Possuem a barbatana dorsal transformada numa ventosa, com a qual se fixam a outros animais como tubarões ou tartarugas, podendo assim viajar grandes distâncias.

No dia 19/03/2010, fui enlouquecidamente atacado por este peixe tarado.
Enquanto fazia minha parada de segurança, uma grande rêmora apareceu e, simplesmente, agarrou no meu corpo e me perseguiu até a minha subida no barco, algo em torno de 15 minutos.
O peixe, além de ser muito incoveniente, é muito teimoso. Eu cutuquei, bati e apertei a "coisa" e, mesmo assim, ele me seguiu. Fiquei até com medo do bicho... rsrsrsrsrs
Passado o susto, dei ótimas gargalhadas com os colegas que viram a cena.
Uma boa razão para fazer um curso de mergulho...
Não tem mais desculpas!!!...

Esta é a mais nova técnica desenvolvida pelos instrutores brasileiros para ensinar a arte do mergulho para pessoas com medo de água.
Trata-se de fazer aulas em grandes piscinas, cheias de patinhos de borracha, para assim dar mais segurança aos interessados.
Agora ninguém vai dar desculpas de medo de água...
Festival de Reggae do Recife - Março de 2010

Planta e Raiz é uma banda de reggae formada em 1998 e começou a carreira apresentando-se em feiras, casas noturnas e bares na capital e no litoral paulista, tocando covers de Bob Marley, Gilberto Gil e Edson Gomes. Em 2001, no palco da Via Funchal, fizeram o show de abertura para a banda que consagrou Bob Marley, The Wailers para uma platéia de 7000 espectadores em São Paulo. Em 2005, lançaram um DVD ao vivo.
Hoje a banda continua fazendo sucesso, e, para nossa sorte, resolveu decolar rumo a Recife para um festival.
Claro que estivemos presentes...
Festival de Reggae do Recife - Março de 2010


Uma vez os ingressos garantidos, começamos a nossa programação para o festival. O local do evento foi o Clube Português do Recife.
Chegando no evento, após umas cervejinhas para animar, é claro, e nos deparamos com um estilo bem diferente deste mesmo público mineiro. Roupa preta, tênis de skaitista, boné para trás e os tradicionais dreads marcaram o exótico público pernambucano.
Nunca vi tanta Marihuana em uma festa. O Fumo era de tabela. rsrsrsrs...
Com Certeza
Planta e Raiz
"Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
Com certeza, meu amor, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
O ínicio e o fim, a noite e a madrugada..
A policia, o ladrão, e a planta que não foi discriminalizada..
Eles querem nossa paz, mas temos Deus a nosso volta
E clamo para ter algemas apenas no nosso amor [2x]
Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
Com certeza, meu amor, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
A ferida que formou, já está sendo curada..
a noite escura se foi, levando as trevas e trazendo luz a sua estrada..
A paz que nos roubaram, graças a Deus temos de volta..
E clamo para ter algemas, apenas no nosso amor [2x]
Com certeza, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
Com certeza, meu amor, você já se banhou na queda de uma cachoeira..
Sentindo a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..
Ela vai, ela vai se purificar..
É só você querer, é só você querer..
É só você pensar no bem, você pensar em Deus..
Só pq Deus, só pq Deus conhece..
Deus conhece..
Ele tá ligado em tudo que a gente faz.
Por isso reze, e peça pra Deus te salvar também..
Essa é a positiva, a positiva vibração..
Com certeza..
Sentindo a sensação..
Com certeza..
Você vai sentir a sensação da sua alma sendo purificada por inteira..."
Festival de Reggae do Recife - Março de 2010

DE VOCÊ SÓ QUERO AMOR
Planta e Raiz
“Hoje lhe vi passar
E depois daquele olhar que a gente se lançou
Ficou mais do que evidente
No meu consciente a vontade de você
O motivo foi olhos nos olhos
Foi melhor que a encomenda
Porque além de linda e bela
Sua humildade é realmente é o que te revela
Ei mulher, de você só quero amor
E mais nada
Ei mulher, de você só quero amor
Pra eternizar essa balada
Ouvi você dizer
Eu sei que não foi pra mim
Mas só de olhar pro seu rosto
Já sinto o desejo, sua boca, seu beijo
Você disse que adorava o verão
Disse que amava o sol
Queria ver qual era da paixão
Numas dessas noites de luar
Não quero ser apenas a estação
Deixe-me ser só seu
Pra toda noite que a gente se encontrar
Só haja o sentimento e a tal da lua cheia
Ei mulher, de você só quero amor
E mais nada.”
Jacques-Yves Cousteau

Desde a infância Cousteau fazia parte daquelas pessoas, infelizmente tão raras, que mantém diálogo intensivo com a Natureza. Entrou na Marinha porque gostava do mar, mas não conseguiu satisfazer-se com as atividades meramente militares. Cedo abandonou a carreira para dedicar-se de corpo e alma ao fascínio do mundo marinho.
Foi o primeiro a explorar o mundo submerso e soube mostrá-lo ao grande público. Inventou a máscara, snorkel e pé de pato, desenvolveu o aqualung e câmaras especiais para fotografia subaquática. Com seu filho Philippe, que, tristemente, perdera em acidente aéreo, com seu Catalina, na embocadura do Tejo, em Lisboa, e que foi sepultado em abismo marinho, fez os primeiros grandes filmes que mostravam a profusão de vida nos recifes de corais dos mares tropicais. Estes estão entre os ecossistemas mais belos e preciosos deste castigado planeta vivo - um mundo de estonteante beleza, de colorido deslumbrante, com incrível riqueza de formas, comportamentos e multifacetadas complementações, com diversidade biológica comparável à das florestas tropicais úmidas e igualmente vulneráveis.
Aprofundou sempre mais as suas observações e descidas. Desenvolveu submarinos e equipamentos fotográficos e de TV até para as tremendas pressões das trincheiras abismais, onde se observa em ação os mecanismos da deriva dos continentes com suas erupções submarinas.
Com suas invenções conseguiu montar um império industrial com ramificações em vários continentes. Seus lucros sempre foram reinvestidos em novas observações e pesquisas. Desde a primeira ajuda financeira que lhe foi dada por um empresário britânico, o que lhe possibilitou adquirir o barco Calypso, ele quase sempre conseguiu autofinanciar-se. Sempre viveu modestamente, seu grande gozo era a aventura do mar.
Com o passar dos anos, o que via em toda a parte levou-o a preocupar-se sempre mais com os estragos ecológicos. Chegou mesmo a arrepender-se de sua própria contribuição indireta a alguns destes estragos. Com a popularização dos equipamentos de mergulho surgiram no mundo milhões de caçadores submarinos. É triste ver como a maioria dos que mergulham só pensam em tirar troféu. Pessoalmente, fiz mergulho e fotografia debaixo d'água durante década e meia, quando vivia no Caribe. Nunca empunhei harpão, mas não me faltou vontade de fazê-lo, não contra as inocentes e encantadoras criaturas do coral, mas contra os caçadores que espetavam tudo o que viam pela frente.
Mas Cousteau chegou a preocupar-se com a globalidade dos estragos que hoje cometemos na água, na terra e no ar, chegou à visão holística de nosso Planeta como sistema vivo, com sua bio-geo-fisiologia. Tornou-se um dos mais poderosos ambientalistas. Foi com este intento que fez sua famosa expedição à Amazônia. A expedição suscitou inicialmente protestos de alguns que suspeitavam fins escusos. São muito comuns, especialmente entre políticos, as pessoas que não conseguem entender que alguém possa agir de maneira desinteressada, simplesmente por idealismo.
Num mundo em que já não se encontra praia limpa nem na mais remota das ilhas, onde recifes inteiros de corais estão hoje mortos, outros morrendo pela poluição, onde os que não estão sendo avariados pela contaminação, estão sendo vandalizados para a obtenção de souvenirs para turistas, ou em que as espécies mais raras e peculiares são caçadas vivas para aquaristas, num mundo assim, em que nem o Pico do Everest escapa do lixo, em que até os oceanos árticos têm sua fauna dizimada pela pesca brutal e sem controle, é lógico que Cousteau tenha sofrido grande angústia e desespero, o que demonstrava claramente em suas conversas e publicações.
Ele refletia muito profundamente sobre quais as verdadeiras causas de nossa atual agressividade e poder destruidor diante da Natureza. A campanha de assinaturas por uma Declaração dos Direitos das Gerações Futuras era apenas parte de seus esforços. Com os ecólogos de pensamento mais profundo compartilhava a convicção de que nosso atual desastre é de fundo filosófico-religioso. Dava-se conta que a atual forma de sociedade industrial é uma religião fanática, que no mundo vê apenas um repositório infinito de recursos, de matérias-primas e de espaços a serem conquistados, de sistemas vivos a serem dominados, demolidos ou eliminados. Esta religião precisa ser trocada, e muito rapidamente, por outra, por uma nova, na realidade muito velha, visão holística. Por uma atitude de veneração pelo grande processo da Sinfonia da Evolução Orgânica, da qual somos apenas parte, um processo estupendo que transformou nosso Planeta no maravilhoso sistema vivo que é, em contraste total com os demais planetas de nosso sistema solar, todos mortos.
Se a Humanidade conseguir atingir um desenvolvimento sustentável, se conseguir sobreviver o próximo século, reestabelecendo harmonia com a Criação, Cousteau será venerado como um dos grandes profetas que prepararam a transição.
SE SOMOS MERGULHADORES COMO HOJE, É GRAÇAS A ELE!!!...
A História do FREVO

Dança instrumental, marcha em tempo binário e andamento rapidíssimo. Assim o ensaísta Mário de Andrade sumariza o frevo em seu Dicionário Musical Brasileiro (Editora Itatiaia, reedição, 1989). Derivado da polca marcial, inicialmente chamado "marcha nortista" ou "marcha pernambucana", o frevo dos primórdios trazia capoeiristas à frente do cortejo. Das gingas e rasteiras que eles usavam para abrir caminho teria nascido o passo, que também lembra as czardas russas. Até as sombrinhas coloridas seriam uma estilização das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas. De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o país. Basta dizer que O Teu Cabelo Não Nega, de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é na verdade uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença. A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda/ Oswaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se Acabá, de Nelson Ferreira pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo. Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira comandada por Pixinguinha.
Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Cyro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios. Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fobica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1979, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.
Invasão no carnaval
Em 1957, o frevo Evocação No. 1, de Nelson Ferreira, gravado pelo Bloco Batutas de São José (o chamado frevo de bloco) invadiria o carnaval carioca derrotando a marchinha e o samba. O lançamento era da gravadora local, Mocambo, que se destacaria no registro de inúmeros frevos e em especial a obra de seus dois maiores compositores, Nelson (Heráclito Alves) Ferreira (1902-1976) e Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, 1904-1997). Além de prosseguir até o número 7 da série Evocação, Nelson Ferreira teve êxitos como o frevo Veneza Brasileira, gravado pela sambista Aracy de Almeida e outros como No Passo, Carnaval da Vitória, Dedé, O Dia Vem Raiando, Borboleta Não É Ave, Frevo da Saudade. A exemplo de Nelson, Capiba também teve sucessos em outros estilos como o clássico samba canção Maria Bethânia gravado por Nelson Gonçalves em 1943, que inspiraria o nome da cantora. Depois do referido É de Amargar, de 1934, primeiro lugar no concurso do Diário de Pernambuco, Capiba emplacou Manda Embora Essa Tristeza (Aracy de Almeida, 1936), e vários outros frevos que seriam regravados pelas gerações seguintes como De Chapéu de Sol Aberto, Tenho uma Coisa pra lhe Dizer, Quem Vai pra Farol É o Bonde de Olinda, Linda Flor da Madrugada, A Pisada É Essa, Gosto de Te Ver Cantando.
Cantores como Claudionor Germano e Expedito Baracho se transformariam em especialistas no ramo. Um dos principais autores do samba-canção de fossa, Antônio Maria (Araújo de Morais, 1921-1964) não negou suas origens pernambucanas na série de frevos (do número 1 ao 3) que dedicou ao Recife natal. O gênero esfuziante sensibilizou mesmo a intimista bossa nova. De Tom Jobim e Vinicius de Moraes (Frevo) a Marcos e Paulo Sérgio Valle (Pelas Ruas do Recife) e Edu Lobo (No Cordão da Saideira) todos investiram no (com)passo acelerado que também contagiou Gilberto Gil a municiar de guitarras seu Frevo Rasgadoem plena erupção tropicalista.
A baiana Gal Costa misturou frevo, dobrado e tintura funk (do arranjador Lincoln Olivetti) num de seus maiores sucessos, Festa do Interior (Moraes Moreira/ Abel Silva) e a safra nordestina posterior não deixou a sombrinha cair. O pernambucano Carlos Fernando, autor do explosivo Banho de Cheiro, sucesso da paraibana Elba Ramalho, organizou uma série de discos intitulada Asas da América a partir do começo dos 80. Botou uma seleção de estrelas para frevar: de Chico Buarque, Alcione, Lulu Santos e Gilberto Gil a Jackson do Pandeiro, Elba e Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner e Alceu Valença. Entre os citados, Alceu, Zé e Geraldo mais o Quinteto Violado, Lenine, o armorial Antonio Nóbrega e autores como J. Michiles, mantêm no ponto de fervura o frevo pernambucano. Mesmo competindo com os decibéis – e o poder de sedução – do congênere baiano.
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